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Entenda o que é a Hidrocefalia de Pressão Normal, condição neurológica que acomete principalmente idosos

Você sabe o que o cantor, compositor e escritor brasileiro Chico Buarque e o músico norte-americano Billy Joel têm em comum? Ambos enfrentaram o desafio da Hidrocefalia de Pressão Normal (HPN), uma condição neurológica que, embora pouco conhecida, impacta significativamente a qualidade de vida dos pacientes, especialmente na terceira idade.

Mas o que é a Hidrocefalia de Pressão Normal?

Diferente da hidrocefalia comum, que costuma causar aumento da pressão intracraniana, a HPN ocorre quando há um acúmulo excessivo de líquido cefalorraquidiano (LCR) nos ventrículos do cérebro, e mesmo assim mantém a pressão intracraniana normal.

“Embora seja uma condição não muito comum, afetando cerca de 1% das pessoas acima de 65 anos, a Hidrocefalia de Pressão Normal dificulta bastante a vida do idoso e é uma das poucas causas de demência potencialmente reversível”, explica o neurocirurgião Dr. Ivan Hattanda, que atua em Londrina.

A HPN é frequentemente confundida com o envelhecimento natural ou com doenças como Alzheimer e Parkinson. No entanto, o Dr. Ivan destaca três sintomas clássicos desta condição.

O principal é a dificuldade para andar, conhecida como marcha magnética. “É como se os pés estivessem colados no chão. O paciente dá passos curtos e tem dificuldade em levantar os pés.”

A incontinência urinária, que reflete a necessidade súbita e frequente de urinar e pode evoluir para perda de controle, e o quadro demencial, que afeta a memória, a concentração e a agilidade de pensamento, são outros dois sintomas da HPN.

Como é feito o tratamento?

De acordo com o Dr. Ivan Hattanda, o diagnóstico é geralmente realizado por meio de uma avaliação clínica detalhada combinada com exames de imagem, como a ressonância magnética e o tap test por meio de uma punção lombar. A boa notícia é que, ao contrário de outras doenças neurodegenerativas, os danos da HPN podem ser mitigados ou até revertidos.

No caso de Chico Buarque, por exemplo, o tratamento escolhido foi a derivação ventrículo-peritoneal (DVP). Este é o procedimento mais comum e eficaz para a HPN.

A cirurgia consiste na implantação de uma pequena válvula e um cateter, nada visível pois fica debaixo da pele. Esse sistema drena o excesso de líquido do cérebro para a cavidade abdominal, para a reabsorção natural do líquido pelo corpo. É considerada uma intervenção de baixo risco, rápida e pouco invasiva, com alto índice de melhora dos sintomas mesmo nos pacientes mais idosos.

“É importante ressaltar que quando diagnosticado precocemente e realizado o tratamento, o declínio cognitivo pode até melhorar e os outros sintomas também, o que devolve bastante a qualidade de vida para o paciente. Por isso é importante a avaliação do neurocirurgião”, alerta o médico.

Ele reforça que envelhecer com saúde exige atenção aos sinais que o corpo dá. “Se você ou algum familiar apresenta dificuldades na marcha ou lapsos de memória persistentes, não hesite em procurar ajuda especializada.”

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