O glioma de baixo grau é um tumor cerebral primário, que nasce no próprio sistema nervoso central. Diferente das metástases, ele não se origina em outro órgão do corpo.
De acordo com o neurocirurgião Ivan Hattanda, o tumor recebe essa classificação para diferenciá-lo do glioma de alto grau, que é mais agressivo e tem progressão rápida. No entanto, o termo “baixo grau” não significa que seja benigno.
“Trata-se de uma doença crônica, infiltrativa e sem cura definitiva, que exige acompanhamento contínuo”, enfatiza o médico especializado em neuro-oncologia.
Glioma de baixo grau tem cura?
O glioma de baixo grau não tem cura. Mesmo quando a cirurgia remove toda a lesão visível na ressonância magnética, já se sabe que células tumorais ultrapassam a área detectada no exame.
Segundo o Dr. Ivan, isso significa que não é possível retirar 100% do tumor. “A doença inevitavelmente volta a crescer e, em muitos casos, pode evoluir para forma mais agressiva ao longo dos anos.”
A progressão costuma ocorrer por volta de cinco anos após o diagnóstico inicial. Por isso, o acompanhamento regular com ressonância magnética é fundamental.
Sintomas do glioma de baixo grau
O sintoma mais comum do glioma de baixo grau é a crise convulsiva, que frequentemente leva ao diagnóstico. Outros possíveis sinais incluem dor de cabeça persistente, alterações cognitivas leves, dificuldade de concentração e alterações de comportamento. “Não há prevenção conhecida. O foco está no diagnóstico precoce e na intervenção adequada”, diz o neurocirurgião.
Como é feito o tratamento do glioma de baixo grau?
Ele ressalta que o tratamento padrão sempre envolve cirurgia. Já a radioterapia e a quimioterapia, em casos específicos.
“A retirada máxima segura do tumor é a primeira etapa. Hoje, a recomendação é operar assim que o diagnóstico é confirmado, pois estudos mostram maior tempo livre de progressão quando a cirurgia é precoce”, explica o Dr. Ivan Hattanda.
Já a radioterapia é indicada quando há resíduo tumoral e ajuda a retardar a progressão da doença, enquanto a quimioterapia está associada à radioterapia para ampliar o controle tumoral.
Radioterapia pode causar perda cognitiva?
Sim, esse é um dos principais desafios para o paciente.
A radioterapia cerebral total pode levar, a longo prazo, a alterações cognitivas como perda de memória, dificuldade de atenção e queda no rendimento intelectual.
“Isso é particularmente impactante porque o glioma de baixo grau costuma surgir por volta dos 40 anos, fase de alta produtividade profissional”, destaca o Dr. Ivan.
De acordo com ele, um dos pontos mais importantes no manejo do glioma de baixo grau é a comunicação adequada. “Embora a cirurgia possa ser tecnicamente bem-sucedida, o paciente precisa entender que a doença não está curada. O tumor pode reaparecer, por isso, o acompanhamento será permanente. Essa informação evita frustração futura e permite planejamento de vida e carreira.”
Novas opções terapêuticas
Avanços recentes identificaram que muitos gliomas de baixo grau apresentam mutação na enzima IDH (isocitrato desidrogenase). Essa mutação leva à produção de uma substância chamada 2-hidroxiglutarato, que favorece o crescimento tumoral.
Com base nisso, foi desenvolvido um medicamento alvo-molecular que bloqueia essa enzima alterada. O Dr. Ivan Hattanda integra o grupo de especialistas brasileiros convidados a apresentar essa terapia a outros médicos.
Segundo ele, entre os benefícios observados nos estudos estão a redução ou estabilização do tumor residual, melhor controle de crises convulsivas e possibilidade de adiar radioterapia e quimioterapia.
“Na prática, o tratamento pode ser cirurgia mais medicação alvo, postergando a radioterapia. Isso pode significar mais anos de preservação cognitiva e manutenção da qualidade de vida”, cita o neurocirurgião.
Para ele, apesar de promissora, a medicação apresenta limitações. “Ainda não se sabe por quanto tempo deve ser utilizada e são necessários anos de acompanhamento para comprovar aumento de sobrevida. Além disso, o custo é elevado. Mesmo assim, representa um avanço importante no tratamento desse tumor cerebral”, avalia o médico.
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