A dor crônica na coluna afeta a mobilidade, o trabalho e influencia diretamente a qualidade de vida de milhões de pessoas ao redor do mundo, principalmente após os 50 anos. A boa notícia é que muitas dessas dores podem ser resolvidas com cirurgia endoscópica, uma solução menos invasiva e com recuperação mais rápida.
Neurocirurgião em Londrina, o Dr. Ivan Hattanda aperfeiçoou essa técnica na Coreia do Sul com um dos maiores especialistas mundiais, o Dr. Sang Kyu Son, um dos pioneiros da técnica de cirurgia endoscópica biportal da coluna.
A técnica utiliza pequenas incisões e uma câmera de alta definição para tratar doenças da coluna vertebral. As principais indicações são hérnia de disco lombar, estenose do canal lombar, compressões nervosas e dor irradiada para as pernas.
Por ser minimamente invasiva, proporciona menor agressão aos músculos, menos dor no pós-operatório e recuperação mais rápida. O retorno às atividades acontece em semanas, não em meses.
O neurocirurgião destaca que um dos principais focos do seu treinamento na Coreia foi o tratamento da estenose do canal lombar. “Essa condição é muito frequente após os 50 anos e acontece quando o espaço por onde passam os nervos da coluna diminui progressivamente. Os sintomas costumam incluir dor lombar e nas pernas, dificuldade para caminhar, sensação de peso nos membros inferiores, perda de força e limitação progressiva das atividades diárias. Muitas pessoas passam a evitar caminhadas, deixam de viajar, reduzem a convivência social e acabam perdendo qualidade de vida”, explica.
Ele ressalta que por muitos anos, o tratamento cirúrgico tradicional exigia grandes incisões nas costas e, frequentemente, a colocação de parafusos para estabilizar a coluna. “Hoje, em muitos casos, a cirurgia endoscópica permite descomprimir os nervos com muito menos agressão aos tecidos, preservando estruturas importantes e evitando a necessidade de implantes quando há indicação adequada.”
As lições da Coreia do sul
A Coreia do Sul lidera a inovação em cirurgia minimamente invasiva da coluna. O Dr. Sang Kyu Son, pioneiro da técnica endoscópica biportal, realiza o procedimento há mais de 23 anos. Ele desenvolveu os instrumentos específicos usados mundialmente nessa técnica e recebe semanalmente cirurgiões de diversos países para compartilhar sua experiência.
Hattanda viajou recentemente até Busan para uma semana de imersão ao lado do Dr. Son. Ele conta que acompanhar os procedimentos reais permitiu discutir cada decisão técnica diretamente com o especialista.
“Eu pude observá-lo e perguntar, por exemplo, por que ele fazia determinados movimentos de uma forma diferente da que estamos acostumados. As respostas traziam explicações sobre a evolução da técnica ao longo dos anos e mostravam pequenos detalhes que são verdadeiros ‘macetes’ adquiridos após milhares de cirurgias”, comenta Hattanda, destacando que esses ajustes dificilmente aparecem em congressos ou livros, mas fazem diferença na segurança, na eficiência e nos resultados.
Além do aprimoramento na parte técnica, a experiência permitiu entender melhor o lado humano que envolve o antes e o depois das cirurgias de coluna. Todos os pacientes operados pelo Dr. Son participam de uma aula antes da cirurgia. Ele explica a importância da alimentação, do fortalecimento muscular, da postura, dos alongamentos e da atividade física. O paciente é orientado sobre sua participação ativa na própria recuperação como fator determinante para o sucesso do procedimento. “Quem não está disposto a aderir às orientações, não está pronto para operar com ele”, diz.
Na Coreia, muitos pacientes permanecem internados alguns dias após a cirurgia. Durante esse período, o Dr. Son acompanha pessoalmente a forma como caminham, corrige a postura, incentiva a movimentação e orienta cada etapa da recuperação.
Cirurgia é apenas uma etapa
Para Hattanda, essa abordagem reforçou a convicção de que a cirurgia é apenas uma etapa do tratamento. “Meus pacientes sabem que, antes de indicar uma cirurgia, esgotamos todas as possibilidades de tratamento conservador quando elas têm chance de resolver o problema”, defende.
Quando a cirurgia é realmente necessária, passa a fazer parte de um plano maior de recuperação, envolvendo uma equipe multiprofissional com fisioterapia, nutrição e psicologia, além da participação ativa do paciente.
“Cada paciente tem uma história diferente e cada coluna merece uma avaliação individualizada. Cada tratamento deve buscar aliviar a dor e devolver a liberdade de caminhar, trabalhar, viajar e viver sem limitações”, conclui.


