O que a morte de Oscar Schmidt revela sobre os avanços no tratamento de tumores cerebrais

A morte de Oscar Schmidt, um dos maiores nomes da história do basquete brasileiro, trouxe novamente à tona uma doença pouco conhecida fora do meio médico: o glioma de baixo grau, tumor cerebral com o qual o atleta conviveu por cerca de 15 anos.

A trajetória de Oscar ajuda a ampliar a compreensão sobre uma doença que, embora não tenha cura definitiva, pode ser controlada com acompanhamento especializado, permitindo qualidade de vida ao longo do tempo.

Oscar é um caso que chama atenção

“Mão Santa” enfrentou o diagnóstico com coragem, passou por cirurgias, tratamentos complementares e, em determinado momento, chegou a declarar-se curado.

Do ponto de vista médico, no entanto, o glioma de baixo grau é uma doença crônica, infiltrativa e de evolução lenta, que exige monitoramento contínuo, explica o neurocirurgião Ivan Hattanda.

Segundo ele, casos como o do jogador de basquete mostram que é possível conviver com o tumor por muitos anos, ao mesmo tempo em que reforçam a importância de seguir adequadamente as decisões terapêuticas bem conduzidas pelos especialistas.

Medicina de precisão traz alternativas terapêuticas

Recentemente, Dr. Ivan participou de um encontro que reuniu especialistas em gliomas de baixo grau para discutir os avanços mais recentes no tratamento da doença. O evento marcou a apresentação, no Brasil, de uma nova alternativa terapêutica baseada em medicina de precisão.

Entre os destaques está o desenvolvimento de uma terapia alvo-molecular para tumores com mutação na enzima IDH, alteração presente em muitos gliomas de baixo grau. Essa inovação representa uma mudança importante na abordagem da doença.

“Na prática, o tratamento pode associar cirurgia à medicação-alvo, permitindo adiar a radioterapia. Isso pode significar mais tempo de preservação cognitiva e qualidade de vida para o paciente”, avalia o neurocirurgião.

Entre os benefícios observados nos estudos estão:

  • Estabilização do tumor;
  • Melhor controle das crises convulsivas;
  • Possibilidade de postergar tratamentos mais agressivos.

Apesar dos avanços, o especialista ressalta que ainda existem limitações, como o custo elevado e a necessidade de acompanhamento de longo prazo para comprovar impacto na sobrevida.

Mas o que mais chamou a atenção do médico durante o encontro de especialistas foi a mudança na forma de enxergar o paciente. “O cérebro não é apenas uma estrutura neuroanatômica. Ele carrega memória, identidade e emoção”, diz o médico.

Sendo assim, tratar um tumor não é só controlar uma doença. É praticar um cuidado que considere a vida, a história e os planos de cada pessoa. “É preservar e respeitar quem aquela pessoa é.”

Dr. Ivan conta que em um momento de confraternização durante o coffee-break do evento, os médicos pintaram juntos um cérebro em tela, sendo que cada um contribuiu com uma lembrança própria, representada por uma cor. “No final, a mensagem que ficou clara é que o cuidado é coletivo. Neurocirurgia, oncologia, radioterapia, patologia, nutrição, fisioterapia, neurologia, psicologia: cada especialidade tem um papel essencial no cuidado com o paciente”, reforça.

O que fica como legado 

Para o Dr. Ivan, a história de Oscar Schmidt mostra, na prática, o que a medicina tem reforçado nos últimos anos, que é possível viver por muitos anos com o glioma de baixo grau.

“Os avanços apresentados pela pesquisa em parceria com os médicos indicam um novo momento no tratamento. Mais preciso, mais individualizado e cada vez mais focado na preservação da qualidade de vida. Ainda não se fala em cura. Mas já se fala, com responsabilidade, em avanço real.”, conclui.

 

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